sábado, 20 de julho de 2013

Dia 292: Ainda as minhas pessoas daqui: os outros de quem não falei...

Os blogues e sítios que escolhemos para listar como os nossos preferidos dizem com certeza alguma coisa de nós próprios. E são, sem dúvida, um caminho de referência para os que nos leem. Ao longo dos meus últimos dez anos de pesquisa na Internet, os sítios que remetem para outros sítios que remetem para outros sítios..., seja nas listagens de Blogues a seguir, seja em Sítios úteis revelaram-se sempre uma excelente fonte de informação. Muitas vezes caótica e redundante... é verdade! Mas preciosa, na medida em que aponta caminhos e nos dá a conhecer diversas comunidades informais.

Por isso, neste «meu mundo», tive sempre algum cuidado na selecção das minhas ligações aqui do lado. Queria sobretudo que fossem o mais possível «exemplares», no sentido em que, se as leio regularmente, me influenciam e, por conseguinte, também de algum modo me definem. Comecei pois por listar sítios de referência como a BBC News, na rubrica Os dias em fotos, a qual  constitui por sua vez uma entrada para este sítio que nos oferece uma visão do mundo digna e plural.

 

O blogue Incidental comics do jovem ilustrador americano Grant Snider representa parte da dose de humor de que quotidanamente necessito.
 
Hello, Grant!
Depois, a pouco e pouco, foram surgindo, mais na minha vida do que aqui ao lado, outros sítios a que me liguei, pela identidade e pela força por que se regem e porque apontam caminhos alternativos, alguns em modo de entrega total, outros mais abrangentes e flexíveis, uns pessoais, outros de grupo. Assim, agora que voltei, decidi rever a listagem, de modo a nomear os sítios que tenho seguido com regularidade e que, antes, dela não constavam, como grande parte dos que mencionei antes. Para além destes, alguns outros foram-se tornando a pouco e pouco também eles importantes, e com certeza outros virão e alguns destes tomarão o lugar dos primeiros, seja porque muitos blogues acabam mesmo, seja porque nós todos mudamos e na vida a única verdade é a impermanência.

Assim, aqui vos apresento a minha lista acrescentada, a começar pelo blogue Minimalizo escrito em parceria pela Lud (de Lud & Leo pelo mundo) e pela jovem brasileira, Fernanda Marinho:

Olá, Fernanda!
E o blogue Not buying anythingh da autoria do casal canadiense Gregg e Linda Koep, que, ao fim de 10 anos de poupanças, conseguiram juntar o suficiente para viverem onde e daquilo que gostam verdadeiramente de fazer.


Hello, Gregg and Linda! 

 Como o grupo do sítio (também no Facebook e no Pinterest),

Unconsumption
... que, com um logo extraordinário (repare-se no smile dentro do carrinho voltado ao contrário), pretende ser uma inspiração diária para a reciclagem de objectos, valorizando a sua utilização máxima e o consumo consciente.

Unconsumption mosaic: ideias publicadas por...

Rob Walker, jornalista americano, fundador e editor,
Molly Block, especialista americana em marketing e desenvolvimento de projectos,
aqui editora e coordenadora do grupo,
Brian W. Jones, designer e escritor sueco,
Dreide Nelson a artista textil escocesa que trabalha numa
perspetiva social e ambiental,  
Shanna Trenholm, escritora e consultora artística americana.
E, por último, mas não em último, o sítio da organização The Center for a New American Dream (também no Facebook) cuja missão é a de ajudar os americanos a reduzir e moderar o consumo, a melhorar a qualidade de vida, a proteger o ambiente e a promover a justiça social. 

New Dream envisions a society that pursues not just “more,”
 but more of what matters—and less of what doesn’t.
Constituída por um grupo dirigente forte e por inúmeros voluntários, esta  
organização bate-se, desde 1997 e de maneira prática e eficiente (tipicamente americana), por expandir um novo sonho americano - que se baseia na comunidade, na sustentabilidade ecológica, na celebração de valores não materiais, redefinindo o espírito do tradicional sonho americano que valoriza a vida, a liberdade e a busca de felicidade.

Uma vez mais, obrigada a todos. Do!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Dia 290: Voltar a «casa»!

A vida e o trabalho obrigaram-me a ficar vários meses fora e longe deste nosso mundo virtual (da blogosfera pessoal e profissional, do facebook profissional e até do gmail). Quando agora regressei, fui visitar as «minhas pessoas daqui» e não pude deixar de me comover com o reencontro com algumas delas...

A começar, claro, pela Lud e pelo Leo, agora em Lud e Leo pelo mundo, um queridíssimo casal brasileiro que conheci pessoalmente, quando voltaram a Lisboa em abril. Foi para mim uma alegria saber que existem mesmo, tal e qual são, e perceber que o que vivem é extraordinário.

Pelo mundo e também na minha casa...

A jovem brasileira Emília, autora de Emilianas, em quem eu, que tenho idade para ser sua mãe, por vezes me revejo, tanto no seu percurso pessoal como na sua luta por uma «vida boa». E mais, que me adicionou à sua «galáxia emiliana», tendo eu escrito tão pouco sobre este projecto de vida que é vivermos à procura do melhor de nós e de um mundo melhor.
Emília
A brasileira Ziula Sbroglio do Hora de mudar, uma supermãe de três e uma superprofissional e ainda o melhor exemplo que conheço de uma mulher focada em viver em permanente aprendizagem.
Ziula
A francesa-americana, Bea Johnson, mãe de dois, autora do blogue Zero Waste Home que «montou» a loja online mais completa de produtos naturais de que tenho notícia, e está a fazer o mapeamento dos pontos de reciclagem dos EUA.
Bea
A portuguesa Inês Nogueira, mãe de duas meninas e autora do blogue Caderno Branco que, por detrás da sua câmara fotográfica, escreve numa perspectiva algures entre a paz interior e um olhar estéticamente sensível sobre a vida.
Inês
A também portuguesa Ema Magalhães, autora do reconhecido blogue 365 coisas que posso fazer que nos ajuda a viver e a pensar, todos os dias, num quotidiano alternativo.
Ema
A tão jovem brasileira Thalita Carvalho da Casa de colorir cuja vitalidade e sensibilidade criativa são das mais estimulantes que conheço.
Thalita
Os jovens brasileiros do grupo Coletivo Verde com sorrisos nos olhos e toda a a força de serem um... coletivo.

Bom, pelo menos todos jovens de espírito...
E, em conjunto, pela quantidade e diversidade de informação verde que oferecem, os responsáveis pelo Setor Reciclagem que reúne a empresa com
responsabilidade social Setor Reciclagem e o grupo Arte Reciclada.

Setor Reciclagem


Obrigada, queridas pessoas do mundo daqui, por fazerem a minha vida melhor.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Dia 289: Ouvir os mais sábios: «Breathe» dos Pink Floyd, a vida em vai e vem

Imagem retirada daqui

Sei há muito que há alturas na vida em que precisamos de parar, e de nos distanciarmos da vida de todos os dias, para nos (re)centrarmos no que é verdadeiramente importante. Esse trabalho interior pode, por vezes, exigir-nos tanta energia que o que sobra são apenas as rotinas mais simples que construímos e integrámos. Nessas alturas devemos dedicar-nos ao essencial de nós e dos que dependem de nós. Em regime de exclusividade e em estado de total concentração. 

Quando o mundo à nossa volta entra em convulsão e nos parece exigir tudo em demasia, temos de abrandar o tempo. Temos de nos aquietar, de respirar profundamente e de nos virarmos para dentro e para a essência das coisas e da vida. 



Be still,
and look deep inside
and around you.
Breathe.
Look deeper an deeper
around 
and inside you,             
Be still
and
breathe.

Depois, aos poucos, a vida volta e nós regressamos a ela. Assim, simplesmente. 

Breathe:


Long you live and high you fly
And smiles you'll give and tears you'll cry
And all you touch and all you see
Is all your life will ever be.
..



Pink Floyd, Breathe in The dark side of the moon

Breathe, paper cutout installation.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Dia 213: Ouvir os mais sábios: Federico Mayor Zaragoza

Entrevistado pelo Canal Sur2 espanhol em 2011, este ex-Director Geral da UNESCO , lembra-nos o que por vezes esquecemos ou em que já nem sequer acreditamos: «este não é o mundo que desejámos para os nossos filhos»!

Segundo Federico Mayor Zaragoza, fomos durante séculos súbditos e não cidadãos, ao ponto de oferecer as nossas próprias vidas, desconhecendo as verdadeiras razões por que o fazíamos. Foram sempre uns quantos a deter o poder no mundo: hoje são apenas 6 ou 7 pessoas nos media, por exemplo, a controlar toda a informação mundial. E esta nova ordem mundial em que vivemos, do domínio do mercado, da guerra e dos media, só poderá ser alterada através do exercício da cidadania.

«A democracia consiste em que o povo conte, não em que o povo seja contado», afirma, e o tempo em que acreditávamos no que nos era dito está a esgotar-se aceleradamente na sociedade global em que vivemos. Para este senhor que vê o mundo de uma posição privilegiada, encontram-se agora reunidas as condições para nos informarmos, para protestarmos, para participarmos inclusivamente de forma não presencial e para mobilizar as pessoas. Para mudar o mundo, para construir um outro mundo possível, de cidadãos intervenientes, de justiça social e de solidariedade, orientado pelos Direitos Humanos e sem medo!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Dia 206: 25 de abril, sempre!

25 de abril
Tive a imensa sorte de pertencer a uma geração que tinha 20 anos no dia 25 de abril de 1974. Porque pudemos viver intensamente a alegria de acreditarmos na possibilidade de concretizar o sonho, ou melhor, todos os sonhos... bons! 

Pudemos viver histórias extraordinárias: mostrar o mar a crianças que nunca o tinham visto (nem comido sanduíches de fiambre, nem mousse de chocolate...), dar aulas de alfabetização a adultos, trabalhar com os então sessenta jardineiros do jardim do Campo Grande, em Lisboa, fazer a apanha do tomate com os ranchos de mulheres ribatejanas que trabalhavam à jorna, elaborar um trabalho crítico sobre a primeira proposta de lei de imprensa na faculdade, viajar pela Europa à boleia, acampar nas praias mais selvagens do nosso país... Tudo nos foi permitido sonhar e viver!

Claro que foi muito difícil, depois, perceber que a vida não é como a sonháramos. Chico Buarque foi um dos primeiros a dizer-nos que a vida não é um sonho bom (e muito menos justa...) quando, em 1978, alterou a primeira versão de Tanto Mar de 1974!

As duas versões de Tanto mar...
TANTO MAR (1ª. versão, 1974)
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente alguma flor
No teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera pá
Cá estou doente
Manda urgentemente algum cheirinho
De alecrim
 

TANTO MAR ((2ª. versão, 1978)
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim

Muitos anos passaram já depois do tempo dos sonhos que vivemos mesmo nos anos setenta. Agora, a crise que nos mata um pouco mais em cada dia que passa é o fim da... festa, pá! A confirmação da impossibilidade de tornar os sonhos realidade.

Contudo, por muito que nos ameacem com uma dívida colectiva de tantos algarismos que não é possível sequer conceber, com a bancarrota, com a miséria e o caos, quem pôde como eu viver o 25 de abril aos vinte anos, sabe que isso não é bem verdade: em todas as primaveras renascem cravos em condições que parecem impossíveis! E depois, dos sonhos que sonhámos, alguns sobrevivem, outros transmutaram-se, muitos estão subjacentes a muitas realidades que hoje todos vivemos realmente. Como a convicção profunda de que é preciso sonhar o que queremos que aconteça!


25 de abril, Cantos de Portugal in Deviantart.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dia 171: «Here comes de sun,tu ru ru ru»: chegou a Primavera!

Para clicar agora e voltar logo aqui.

Here comes the sun
Here comes the sun
And I say
It's all right




Little darling...

Little darling
It's been a long cold lonely winter
Little darling
It feels like years since it's been here




Here comes the sun
Here comes the sun
And I say
It's all right



Little darling
The smiles returning to the faces

 
 

Little darling
It seems like years since it's been here



Here comes the sun
Here comes the sun
And I say
It's all right




Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...


  
  
Little darling
I feel that ice is slowly melting



Little darling
It seems like years since it's been clear



Here comes the sun
Here comes the sun
And I say
It's all right



Here comes the sun
Here comes the sun
It's all right
It's all right 


Este ano a Primavera chegou-nos às 11h02 de 20 de março, no primeiro Dia Internacional da Felicidade, e ficará connosco, os do Hemisfério Norte, até às 05h04 do dia 21 de junho. Trouxe o sol... tu ru ru ru... e pôs-nos a todos a falar da felicidade.

It's been a long cold lonely winter... mas nestes tempos difíceis, abriu-se hoje um lugarzinho de alegria de viver!

domingo, 17 de março de 2013

Dia 168: Aprender a vermo-nos «fora de nós»

Uma das consequências que o compromisso de viver «um ano sem compras» me tem revelado é a de permitir que comecemos a ver-nos de fora de nós próprios. Este exercício que a psicoterapia ou o yoga ou a meditação, entre diversas outras práticas, também ensinam é essencial ao crescimento interior.

Da psicologia há muito que sabemos que cada um de nós tem a sua própria perceção dos outros, do mesmo modo que todos temos uma imagem mais ou menos desviada da nós próprios, seja ela física, psicológica ou ambas. E em geral não coincidem. Achamo-nos quase sempre ou mais bonitos ou mais velhos ou mais gordos ou mais sedutores ou mais limitados do que na verdade somos. E isto longe dos casos patológicos em que a imagem real e a subjetiva se encontram completamente desajustadas (complexo de superioridade, anorexia...). 

Conhecermo-nos e à realidade em que vivemos.

Ao exercermos com regularidade esta prática de nos vermos na qualidade de espetadores de um filme no qual somos as personagens principais, vamo-nos progressivamente dando conta do que origina muito do que nos acontece e que sentimos no quotidiano. Para quem nunca o fez é uma revelação: em situações de tensão sobretudo, umas vezes somos nós próprios que inconscientemente provocamos o que nos sucede, outras vezes são, também mais ou menos inconscientemente, os outros quem despoleta em nós sentimentos os mais diversos: mágoas, revolta, alegria, comoções... antes inexplicáveis.
Como todas as práticas, é sempre mais difícil no início. Um psiquiatra explicou-me uma vez que numa conversa a dois, podem estar vários eus reunidos: eu, o outro, eu a observar o outro, o outro a observar-nos aos dois... Numa típica situação psicoterapeutica estão quase sempre três: o analista, o paciente e o analista observando os dois. Muitas vezes, quando a terapia é aprofundada, são pelo menos quatro os que se reúnem, já que o próprio paciente apreende esta mesma técnica e  consegue ver-se a si e ao outro em relação terapêutica e simultaneamente na relação pessoal.

Ver o que os outros não veem.
Tentar vermo-nos «de fora» ensina-nos muito sobre nós próprios, sobre os outros, sobre a influência que detemos na realidade em que vivemos e, evidentemente, sobre a nossa a qualidade de vida. Exige um grande autocontrole e, pelo menos de início, uma espécie de voto de silêncio ou, pelo menos, uma atitude de retirada face a intervenções ou respostas espontâneas e emotivas. Nestes casos, quando solicitados a intervir, devemos afirmar que gostaríamos de pensar melhor, dizer que ainda não refletimos sobre o assunto ou, no mínimo, pedir que nos repitam a pergunta.

Treinar quando estamos sozinhos é uma boa forma de nos iniciarmos nesta prática: imaginando-nos com uma câmara, a filmar o lugar onde estamos e nós nesse lugar. Ajuda também relatarmos essa situação em voz alta, na terceira pessoa, como alguém que conta uma história: 

«Quando entrei no apartamento percebi logo que ali viviam várias pessoas. Na cozinha, à direita do hall de entrada, estava uma cafeteira ao lume e havia várias canecas sobre a mesa, ao lado da janela. De um quarto ao fundo do corredor, chegava uma conversa em inglês, acompanhada de uma banda sonora. O cheiro a incenso vinha da sala, em frente à cozinha. Aí, sentada num cadeirão de «orelhas» e embrulhada numa manta, estava uma mulher com a cara escondida por uma franja inclinada sobre um pequeno notebook onde escrevia.»

Adotarmos esta terceira visão num contexto em que estamos sós, mas com outros - como quando estamos sozinhos num café ou na praia -, pode considerar-se talvez uma segunda etapa, na medida em que a tendência será a de observarmos os outros como sempre o fizemos, quando agora o que nos interessa é assumir um olhar o mais objetivo possível. Um olhar estrangeiro que tenta perceber por que razão sentimos empatia, indiferença ou repulsa pelos outros. Ao mesmo tempo que tentamos ainda vermo-nos através dos olhos dos outros: «o que pensará de mim aquele senhor a ler o jornal? E o casal com filhos pequenos? E a empregada que serve à mesa?».

Num grupo, seja no trabalho ou num acontecimento social, colocarmo-nos de fora é mais difícil porque estamos em relação com os outros, dentro de nós e fora de nós. Ou seja, somos três. De ínício, temos de ir saltando entre cada uma destas perspetivas, um pouco ao sabor do que formos capazes, mas com o treino, vamos conseguindo começar por rebobinar o filme do que vivemos em cada uma das três representações da realidade e, mais tarde, conciliá-las, fazendo o que os psicoterapeutas também designam como perlaboração (do francês, «trabalhar interiormente por si próprio»): processo pelo qual o psicanalisando integra uma interpretação e supera as resistências que ela suscita; elaboração interpretativa.

Ouvir atentamente os outros, prestando atenção às suas palavras, mas também à respetiva postura corporal constitui um treino complementar que naturalmente acabamos por dominar. Ajuda muito também solicitar a opinião de outros sobre uma determinada pessoa ou situação e de seguida propor-lhes uma apreciação contrária, um ponto de vista completamente diferente: questionar o que nos é dado como certo e o que consideramos como adquirido, e perguntarmo-nos por que temos ou consolidámos uma determinada convicção sobre alguém ou sobre um acontecimento.

Com esta prática, não apenas podemos tornar a nossa vida muito mais rica, como aprender a valorizar o melhor de nós. Acredito que possa parecer difícil, mas com o tempo torna-se numa atitude natural e depois é só continuarmos a ir por aí.
Aprender a viver o melhor de nós.
É por tudo isto que penso que o compromisso de «um ano sem compras» obriga muitos dos que o fazem a continuá-lo depois de uma forma alargada em direção ao nosso coração e a uma vida melhor, no sentido ético e global destes termos. Porque, quando iniciamos o processo de um crescimento interior consciente, é muito provável que este se torne num caminho irreversível.

Caminhar.