sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Minimalismo orientado

Há dois anos, escrevi aqui sobre a necessidade que sentia de aprofundar um modo de vida minimalista. Procurava então um equilíbrio entre a adesão sincera a uma vida frugal e a exigência de uma vida melhor, atitudes essas que me parecem agora cada vez mais interligadas, não podendo, para mim, existir uma sem a outra.

O respeito para com todos os seres vivos e a natureza, a sustentabilidade e o consumo consciente, o desenvolvimento pessoal ao longo da vida, 
em paralelo com a participação ativa na comunidade em que me insiro, são agora valores inquestionáveis. Uma vida materialmente frugal e interiormente rica, expressa num quotidiano de serenidade, sabedoria, alegria, harmonia e graça.

Estas são assim as linhas pelas quais conscientemente me guio, muito embora o meu quotidiano esteja longe ainda de as integrar. Como a Estrela Polar no hemisfério norte, indicam-me a direção certa e se estou ou não a enganar-me no caminho a seguir. 





Comecei entretanto a compor uma rotina noturna. Em cada fim de dia, antes de adormecer, procuro ver por onde andei, o que fiz bem e o que fiz mal, e se o balanço entre os dois é positivo (e muitas vezes não é...). Depois faço a minha ladainha de gratidão: nomeio uma a uma todas as dádivas que a vida me ofereceu ao longo do dia. Por último, procuro visualizar os meus desejos concretos de felicidade para os que amo e para mim própria. Termino como comecei: confiando na Estrela Polar!


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Noites de luar

Como todos os anos, o equinócio, (do latim, aequus (igual) noctium (noite), significando que a duração da noite (é) igual à do dia) de outono tem lugar em setembro e ocorreu este ano às 09:20 do dia de hoje. 

Este instante marcou, no Hemisfério Norte, o início do outono que se prolongará por cerca de 90 dias, mais precisamente 89,81 dias, até ao próximo Solstício que terá lugar na madrugada do dia 22 de Dezembro, às 04:48.

No dia 28, o céu de setembro presenteia-nos, às 19h10 com uma Super Lua ou Super Lua Cheia, a ocasião em que a lua cheia se situa a não mais de 10% do seu ponto mais próximo da Terra no percurso da respetiva órbita, que se designa de perigeu. Isto acontece porque a órbita lunar é elíptica e o seu centro não coincide com o centro da Terra. 


Mais próxima da Terra, a Lua apresenta-se maior e mais brilhante que o normal.

Contudo, mais do que apenas uma Super Lua, no dia 28 de setembro poderemos assistir, entre  2h07 e as 3h47, a um eclipse total da Super Lua, fenómeno astrológico relativamente raro que só voltará a ocorrer em 2033.


Fonte: Observatório Astrológico de Lisboa.

Boas noites de luar!

sábado, 12 de setembro de 2015

«O caminho do meio»: recomeçar!

Numa das suas acepções mais simplistas, o caminho do meio é, para o budismo, a adopção de uma atitude perante a vida sob o signo da harmonia e da moderação, equidistante da auto-indulgência e da morte. Percorrer este caminho exige autodisciplina e vigilância constantes, mas permite-nos viver uma vida melhor.

Todos as nossas atitudes e expressões devem pois fomentar e derivar da harmonia e da moderação: da forma de andar ao tom de voz, aos nossos gestos, às afirmações que fazemos, por mais simples que sejam. Neste sentido o yoga ajuda-me muito, porque a prática ensina-nos a respirar bem, a movimentarmo-nos e a pensar-sentir com serenidade, harmonia e graça. O silêncio é também uma boa prática, sobretudo para nos observarmos a nós próprios e aos outros. Tentar viver um dia em silêncio constitui só por si uma experiência única. 

Rever sistematicamente os compromissos que nos impusemos faz também parte deste caminho do meio.

Dhyana mudra*
Por muito difícil que seja, e é-o mesmo, é sempre muito mais fácil desenhar uma série de rotinas boas do que cumpri-las efetivamente. Contudo, para mim, o importante é que as rotinas me servem como metas concretas e guiam a orientação dos meus dias.

Assumo com responsabilidade mas sem culpa que posso falhar algumas vezes. Por exemplo, ainda não consegui alimentar-me segundo o dito popular que preconiza o tipo de refeições que devemos fazer: pequeno-almoço de rei, almoço de príncipe, jantar de pobre. Acho que a minha dieta é agora mais de príncipe e de pobre misturados, sobretudo porque, como a maioria de nós, quase toda a vida segui o regime oposto: comer melhor e mais ao jantar, menos ao almoço e e ainda menos de manhã.


Em contrapartida, tenho conseguido fazer diária e semanalmente o exercício que me propus: vinte minutos de caminhada a pé e 10 minutos de prática de yoga logo ao acordar, todos os dias, e duas aulas de yoga por semana ao fim da tarde.


Cuidar mais de mim, para além da dieta e do exercício, tem sido difícil. Acho que enquanto o meu filho estiver doente terei grandes dificuldades em fazê-lo. Por outro lado, vou fazer para a semana um bom corte de cabelo e tenho aplicado máscaras de nutrição. O meu cabelo é agora completamente natural, com muitos fios brancos no enquadramento do rosto. Ainda me estou a habituar a mim, mas a libertação das colorações sistemáticas é uma benção!


Li algures num site sobre styling que um look cuidado obriga a usar três peças, sendo que uma delas pode ser um lenço, um colar, um chapéu... As cores do que vestimos devem também ser pensadas: três cores, coordenadas entre si de forma original (sapatos a condizer com uma echarpe, uma carteira a condizer com as calças, etc.), padrões diferentes de uma mesma cor, ou gradações da mesma cor... Não tem sido fácil, mas estas indicações têm funcionado como uma bússola para me obrigar a não andar sempre vestida de preto... um uniforme que usei muitos anos.


O destralhamento da casa vai avançando aos fins de semana, porque durante a semana tenho pouco tempo. Quero muito livrar-me de tralha, coisas, stuffs... que para mim não têm nem utilidade, nem sentido. Consegui organizar uma parte. As coisas mais valiosas, parte das quais prendas, numa cristaleira/vitrine, a minha coleção de literatura infantil em duas estantes de 2 metros por 2,40 e os tecidos e peças de roupa que gostaria de reciclar, dobrados e etiquetados numa cómoda. Estes três grupos aguardam um doação e uma resolução «boas». Desta vez pretendo integrar a simplicidade «para sempre», muito embora saiba perfeitamente que nada é nunca para sempre


A minha relação com o trabalho tem vindo a pacificar-se mês após mês e não tenciono voltar a fazer sobre-esforços, nem envolver-me em mais lutas para defender o que acho correto... Faço o melhor que posso, como sempre. Apenas. Por isso optei também por um ritmo mais lento mas regular, o que nesta fase do ano é aliás fácil.


Fazer o balanço sistemático destas metas concretas, reajustá-las, acrescentá-las ou modificá-las orienta os meus passos em direção ao caminho do meio


* Do sânscrito: gesto (mudra) propiciatório da meditação (dhyana).

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Integrar uma dieta saudável e exercício físico regular na rotina diária

Com os anos, mesmo uma pessoa como eu, que nunca se preocupou com dietas  e que durante a gravidez se limitou a deixar de comer açúcar (o que foi muito fácil porque eu até nem sou apreciadora de doces...), sabe em que deve consistir uma dieta boa para uma pessoa saudável.

Fibras e açúcar: legumes - o que se quiser; fruta - 5 peças /dia; hidratos de carbono - com moderação; proteínas - em quantidade suficiente para cada tipo de pessoa. O total de calorias ingeridas ronda as 1200, no mínimo, mas devem ser aferidas aqui, por exemplo, consoante a idade e a massa corporal de cada um.


Sabemos todos também que é necessário um bom pequeno almoço, a principal refeição do dia, um almoço completo e um jantar leve. Há um dito popular que reza assim: pequeno almoço de rei, almoço de príncipe, jantar de pobre. Estas três refeições devem ser intercaladas com um porção de um alimento saudável (fruta, iogurte, gelatina, frutos secos, pão ou bolacha integrais...) a meio da manhã, a meio da tarde e, para os mais noctívagos, uma pequena ceia.


No meu caso, aboli praticamente a carne e é muito raro comer peixe, porque cada vez menos apetece comer estes alimentos, porque sei que deles não necessito verdadeiramente, mas também por conhecer os efeitos da respetiva produção industrializada: o imenso sofrimento que provoca nos animais, e a enorme poluição do meio ambiente. Tal não quer dizer que, se me apetecer muito, não coma carne, como os frangos criados ao ar livre, ou peixe, mas é cada vez mais raro. De certa forma, substituí a carne e o peixe por ovos e lacticínios, leguminosas, azeitonas... A arte de comer bem reside sobretudo na confeção de comida simples com alimentos frescos (keep it simple, keep it fresh) e saborosa, de preferência sem recurso a alimentos processados que estão por toda a parte: dos famosos caldos Knorr (já leram os ingredientes de que são feitos, mesmo os de legumes?), aos cereais de pequeno almoço, aos congelados prontos a fritar ou a ir ao forno, passando por todo o tipo de molhos...


Em relação ao exercício físico, acho que cada um deve escolher aquele que mais lhe agradar. Correr, andar de bicicleta, nadar, integrar uma turma de ginásio, o que for, sozinho ou acompanhado. Para mim, é o yoga desde há muitos anos e cada vez mais, já que não posso fazer nenhum tipo de exercício de impacto. Tenho muitas saudades de nadar (o exercício físico que que faço desde os 5 anos...) e que representa também o meu sonho de férias, mas tal significa sujeitar-me durante todo o ano a muitos mergulhos numa piscina coletiva cuja água, por melhor que seja, contém sempre componentes agressivos para os olhos, a pele, o cabelo. Ir e vir a pé para o trabalho (30 minutos + 30 minutos) é outro dos meus objetivos que, sinceramente, não sei quando terei forças para começar, já que de carro demoro 10 minutos, no máximo! Em contrapartida, consigo fazer todos os dias 10 minutos de yoga, mal saio da cama e ando cerca de 20 minutos a pé!


Posto isto, e porque nos dizem que instalar um hábito demora cerca de um mês, integrar uma dieta saudável e exercício físico regular no nosso quotidiano é apenas uma questão de nos comprometermos connosco e, muito importante, com outros de quem gostamos para que nos «vigiem» e apoiem, e de nos concentramos nos benefícios dos resultados. Aconselho vivamente o ritmo do passo de caracol.





sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Ser dono do próprio destino... um dia de cada vez

Nestes últimos tempos tenho andado a pensar em como ser dono do próprio destino é bem mais fácil do que parece e do que se diz. Claro que esta afirmação não se pode infelizmente generalizar a toda a humanidade, mas nós, os do mundo desenvolvido, não temos como reclamar da vida que vivemos.

Fazemo-lo porque é muito mais fácil deixarmo-nos ir na vida que nos «calhou», do que pensar no que realmente queremos para nós, procastinando mais ou menos indefinidamente tomadas de decisão... Na verdade, é impossível mudar tudo de uma vez e mesmo até não ter momentos de deixar andar! Sobretudo porque a vida a que muitos de nós nos obrigamos a ter não é fácil. Falo por mim, mas também pela minha amiga Ziula aqui do lado, para dar exemplo concreto! A vigilância tem de ser, se não constante, pelo menos periódica.


Com a minha idade, conheço bem quais os pilares de um vida boa: comer pouco, diversas vezes e bem, fazer regularmente exercício, dormir o número de horas necessárias, a começar bem antes da meia-noite. Estes são três aspetos fundamentais para que o nosso corpo, tantas vezes secundarizado, nos permita fazer o que queremos. O que implica também idas regulares ao médico, um ciclo de massagens uma vez ao ano (ainda que sejam auto-massagens, sim), um bom corte de cabelo (há mais de um ano que não o faço...) e as rotinas de cuidar de nós: um creme hidratante para o corpo e outro para a cara, um batom, um lápis e uma máscara, um perfume!


Depois há a questão d
o nosso guarda-roupa. Independentemente do estilo de cada um de nós e da necessidade de um consumo consciente, de que eu não abdico, quando temos muito trabalho e uma vida familiar complicada, é tão mais fácil vestir sempre o mesmo uniforme, sem qualquer graça, nem nenhum cuidado especial. Afinal, a elegância é uma atitude física e psicológica e quem prescinde de tempo para investir em si próprio... 



acaba por se transformar ou num sapo, ao contrário da história...
ou... numa esfregona! Sim numa esfregona mesmo! Dói, não dói?

Pois foi assim mesmo que eu me encontrei comigo própria em junho, quando o meu filho começou a melhorar. Fiquei de tal modo assombrada com a minha imagem no espelho, que logo a desviei para o destralhe da casa que estava evidentemente mais ou menos como eu: organizada à primeira vista, mas na realidade pouco cuidada.

Perante esta descoberta iniciei um dieta mais saudável e voltei a fazer yoga duas vezes por semana, que talvez talvez passem a três em setembro-outubro, e comprei, enfim, a minha máquina de costura Singer!

Por tudo isto, o destralhe da casa continua, agora a um ritmo mais lento, mas com persistência, e o meu trabalho profissional abrandou para uma cadência mais humana: um dia de cada vez!


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O espírito das minhas férias de 2016


Fonte: http://www.incidentalcomics.com/2015/06/reflection.html

Obrigada pela inspiração, Grant, um dos meus apoios aqui do lado! 

Férias: um mistério a resolver

Uma vez mais este ano não terei férias. Férias verdadeiras, dessas que são planeadas com alegria e encantamento, para conhecer o mundo, para desligarmos do quotidiano e recarregarmos energias.

Na verdade, depois de adulta nunca tive esse tipo de férias. Bom, uma semana, dez dias, com amigas... pelo menos duas ou três vezes: Guadalajara-Toledo-Madrid, Nova York, Marraquesh... De resto, férias foram para mim sempre organizar várias semanas na praia ou no campo, com crianças ou adolescentes, o pai do meu filho, às vezes um par de amigos. Cozinhar muito para todos, lavar muita loiça, manter as casa mais ou menos em ordem. E, nos intervalos, 
dar uns mergulhos no mar ou no rio, ler sempre que possível.


Nos últimos dois anos, não saí de Lisboa. Fiquei em casa, tentando descansar e organizar-me, o que consegui minimamente. Este ano será igual, com a desvantagem de apenas o poder fazer durante uma semana. Todos os meus dias de férias deste ano, e já bastantes do próximo, foram gastos a acompanhar o meu filho e a tentar simultaneamente recobrar algumas energias sugadas pela doença e pela crise económica e social em que vivemos.


Porque o mais grave problema que hoje vivemos no meu país é não apenas o desemprego brutal associado à grande perda do poder de compra, mas também, sobretudo, a indefinição das políticas sociais, económicas, culturais. Esta indefinição assenta na inexistência de visão política de médio-longo prazo sobre o futuro de Portugal e, por conseguinte, na ausência de metas, de objetivos, de metodologias de trabalho, de incapacidade de planeamento. De um imenso desperdício dos recursos humanos existentes. Não é por acaso que somos um dos povos mais deprimidos da Europa, com mais altas taxas de consumo de benzodiazepinas, de ansiolíticos, de antidepressivos.


Não estou a lamentar-me. Antes da crise eu também não sabia ter férias e é verdade que é possível fazer férias com pouco dinheiro. APRENDER A TER FÉRIAS é umas minhas mais importantes tarefas para 2016. Como o é reconstruir um quotidiano compensador e harmonioso. No meu caso, tenho de aprender a autocentrar-me, a a ser egoísta e depois fluir nesse estado de espírito. Por agora estou apenas focada numa alimentação mais saudável e no yoga. Para a semana, espero terminar o destralhe da casa a que já dei inicio, com o reforço de inspiração da jovem Marie Kondo.


As férias-férias ficam para o ano. Entretanto espero conseguir treinar num ou noutro fim de semana prolongado. Será que estou a pedir de mais ao meu futuro?